
A categoria rejeita a proposta humilhante do governo e permanece na luta. Aproximadamente mil pessoas compareceram ontem na Praça do Centro Cívico, em frente à Tribuna da Assembléia legislativa, para aguardar o resultado da audiência de conciliação entre Governo e Sindicato. Por ampla maioria, os trabalhadores em educação decidiram pela permanência no movimento de greve. Caberia ao juíz da 8ª. Vara Cívil do Tribunal de Justiça do Estado de Roraima, Parima Dias Veras, julgar a legalidade greve.
O juíz, que, inclusive, já foi professor, inclinou-se desde o início (primeira audiência de conciliação no dia 09/06/2008) pela ilegalidade do movimento, baseado na argumentação pueril de que "os alunos seriam prejudicados, principalmente os de Ensino Médio, por causa do vestibular (…)", ignorando o fato de que a rede de ensino em Roraima é praticamente toda Estadual, da Educação Infantil ao Ensino Médio, contemplando crianças e adolescentes de todas as faixas etárias. A questão estrutural e da distribuição criminosa de merenda vencida e deteriorada foi deliberadamente ignorada. O companheiro Chrystian, membro do Comando de Greve, presente nas duas audiências de conciliação, afirma que "o juíz não queria ouvir a argumentação do Sindicato, e afirmava que já tinha uma opinião formada sobre o assunto (…). Quando, então, o juíz voltava a tocar na questão dos alunos prejudicados, e ameaçava a possibilidade de declarar a ilegalidade do movimento".
O governo, ao pronunciar-se, na referida segunda audiência, por um aumento de 12% aos trabalhadores em educação (somente 2% a mais que a proposta inicial do Governo de 10%, sendo, nossa proposta, um mínimo de 35%, que poderiam ser dividido em 15% para esse ano e 20% para a data base em 2009) e ainda, IGNORAR os demais pontos de pauta, busca humilhar a categoria e convencer os reticentes e pelegos de plantão a voltar para a sala de aula. Mas esses são poucos, e a categoria está mais unida do que nunca. Em pronunciamento emocionado a companheira Rosângela, do Comando de Greve, afirmou "que sentia-se humilhada como educadora, mas que estava mais forte do que nunca para prosseguir a luta pela dignidade da profissão, coisa que o governo desconhece."

Companheiros concentrados em frente à Tribuna.

Companheiros em mobilização permanente!
O Companheiro Antonio de Souza Matos promoveu hoje pela manhã a leitura de seu texto na Tribuna que reproduzimos aqui.
A GREVE DOS PROFESSORES E O SILÊNCIO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Porque os meios de comunicação, principalmente as televisões locais, não divulgam mais nada a respeito da greve dos professores estaduais? Segundo o SINTER, quase noventa por cento das escolas, quanto da capital quanto do interior, já aderiram ao movimento, mas os telejornais simplesmente ignoram e nada veiculam. Por quê?
Todos os dias os professores se aglomeram em frente da Assembléia Legislativa para ouvir e dar informes sobre o andamento da greve. Faixas são colocadas em vários pontos para chamar a atenção dos circunstantes sobre as principais reivindicações da categoria. No entanto, os canais de TV silenciam. Por quê?
Já houve uma carreta saindo do centro e indo até o bairro Pintolândia. Tal vez nem a do líder dos arrozeiros que mereceu uma cobertura privilegiada da imprensa chamou tanto a atenção dos boa-vistenses. Nem por isso houve qualquer filmagem e divulgação em horário nobre. Por quê?
Os professores fizeram uma passeata contornando a Praça do Centro Cívico e adentrando as principais avenidas do centro comercial. Mas só ficou sabendo disso quem estava naquelas imediações na ocasião. Os meios de comunicações anunciavam outras noticias como os preparativos para as festas juninas no Anauá. Por quê?
O ex. governador Flamarion Portela anunciou, da tribuna da Assembléia Legislativa, que há quase setenta milhões de reais do FUNDEB depositado em aplicações financeiras no Banco do Brasil – dinheiro que deveria ser usado em investimentos concretos na área educacional. Além disso, esclareceu que cada aluno custa 2.400 reais por ano aos cofres públicos – o mais alto do país. Por que a mídia televisiva não deu crédito a essa informação? Por que ninguém questionou que o professor de Roraima deveria receber, não o quarto maior salário do Brasil, mas o primeiro? Por quê?
Da Tribuna do Povo, os professores denunciaram irregularidades praticada pela Secretaria de Educação e distribuíram diversas fotos aos colegas e simpatizantes: de gêneros alimentícios com prazo de validade vencido entregues a escolas do interior do Estado e de prédio escolares em condições mais do que precárias. Por outro lado, realizaram, vestidos de preto, o enterro simbólico da educação pública de Roraima na Praça Airton Senna, onde também fizeram uma exposição fotográfica, mostrando ao público presente a realidade degradante das escolas da zona rural. Entretanto, nem um canal de televisão exibiu esse manifesto dos educadores. Por quê?
Por que não mereceram destaque na mídia local as conquistas dos professores com a greve deflagrada: o pagamento do resíduo do FUNDEB aos professores infantil, a leis que autoriza o repasse de verbas às escolas para suprir as demandas e manutenção, a promessa das progressões ( verticais e horizontais) até o final de agosto, a promessa de conceder aumento de 12% e a promessa de anulação do famigerado decreto que regulamenta as progressões funcionais? Por quê?
Por que as emissoras de televisão locais não manifestaram indignação às declarações do governo de que já atendeu a 80% das reivindicações dos professores, quando, de concreto, quase nada foi garantido, exceto promessas, promessas e promessas? Por quê?
Por que a mídia não denunciou que as aulas ministradas nas poucas escolas que não aderiram à greve não passam de enganação e que, portanto, poderão ser anuladas pelo Ministério Público e que os professores “Judas e Piolhos” terão de trabalhar dobrado?
A sociedade que depende da escola pública busca uma explicação para todo esse descaso dos meios de comunicação. Segunda-feira, nove de junho, por volts das 8 horas da manhã, sentar-se-ão à mesa o governo do Estado e O Sindicato dos Profissionais de Educação, intermediados pelo Ministério Público, tendo em vista uma conciliação entre as partes do litígio. Será que nem isso merecerá destaque na imprensa escrita e a cobertura completa pelos canais de televisão?
Professor de língua portuguesa. E-mail: matoseluiza@yahoo.com.br
Fotos que a imprensa de Roraima faz questão de não publicar:

Escola Estadual Samaúma - Mucajaí (em vias de desmoronamento)

Carne deteriorada entregue nas escolas.