Educação de Roraima Mobilizada! Indignar-se é preciso!

Vamos a Luta companheiros(as)!

30 de março de 2010

Trabalhadores em educação, estamos no limite de data que a Lei burguesa prevê para algum reajuste salarial, dia 30 de abril. Caso não nos organizarmos e lutarmos por nossas já tão surradas reivindicações, será preciso mais um tempo de espera, abril de 2011, por conta das eleições (justificativa dos governos). Contudo, temos plena consciência de que os governantes usam essa Lei para sacramentar uma eleição na qual somente os interesses da burguesia são defendidos e deixa a utilização do dinheiro público ao “bel prazer” de quem está no poder. Por isso, não podemos abandonar a lutar por nossos direitos.

O ABONO TRANSPORTE E ALIMENTAÇÃO eram previstos na Lei nº 010 de dezembro de 1995. Retirados pelo governo Neudo Campos em 2001, estamos SEM ELE ATÉ HOJE. O governo Anchieta vem reforçando a política de massacre aos nossos direitos retirando inclusive, o calendário de pagamento e a GID de alguns setores da educação, pelo simples prazer de nos prejudicar em prol de seus interesses.

Em 2007 durante uma reunião ordinária do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEF/RR na UNIVIRR, o então, secretário de educação Luciano Moreira admitiu “que o abono transporte é um complemento do salário praticado há vários anos” (conforme documento em anexo), confirmando que esses benefícios são mantidos somente para alguns. Por isso perguntamos: Que grupo é esse que recebe o benefício até hoje?
Podemos afirmar que apesar do quadro de 1994 ter direito adquirido a esse benefício não é esse grupo que o recebe. E para piorar a situação dos trabalhadores em educação temos uma direção do sindicato, que mesmo tendo conhecimento através de documentos desses fatos, não tomou nenhuma posição de defesa da categoria.

E o governo Anchieta comete um erro após outro e tropeça nas próprias ações, em 2008 concedeu aumento diferenciado para o funcionalismo público ferindo a Constituição Federal que prevê isonomia salarial para servidores de mesmo nível. E este ano mais uma vez ele concede de forma discriminatória auxílio alimentação para a polícia civil no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), ao mesmo tempo, finge que não sabe que uma pequena parte da educação recebe esses benefícios, negando-os para a maioria dos trabalhadores. E questionamos: É hábito do Juninho tomar atitudes que ferem as leis que eles mesmos criam?

Como se não bastasse tudo isso, ainda temos que agüentar em audiências com esse governador de falácias, promessas de que atenderia algumas reivindicações, como a volta da GID e do CALENDÁRIO, logo em seguida, ficamos com a seguinte dúvida: é o governador que manda os secretários desfazerem suas promessas ou são seus secretários que passam por cima do governador?

NÃO PODEMOS MAIS VER O GOVERNADOR, QUE NÃO PASSA DE UMA IMITAÇAO BARATA DO COLLOR DE MELLO, COMETER TANTOS DESMANDOS E SE MANTER NO PODER.

TRABALHADORES DE RORAIMA UNIMO-NOS E FAÇAMOS UMA CAMPANHA “NEM NEUDO E NEM ANCHIETA”

GREVE JÁ!

NOTA DE APOIO

9 de março de 2010

O MOTE vem em nota apoiar a greve dos professores em São Paulo PELA DIGNIDADE DO MAGISTÉRIO E PELA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO iniciada dia 08 de março. Pois, como a APEOESP também vemos a greve como instrumento legítimo da luta por melhores condições de trabalho e busca da dignidade da classe trabalhadora.

Nossa união se dá contra os desmandos desses governos “representantes apenas da burguesia” que retiram dos trabalhadores os seus reais direitos com a intenção de desmobilizar nossa classe a fim de manter-se no poder através da exploração.

Companheiros contem conosco!

E AGORA?

21 de fevereiro de 2010

Os trabalhadores(as) em educação chegam ao ano de 2010 com enormes perdas e com feridas profundas que os impedem de olhar de uma maneira clara e precisa para a verdadeira saída que é a luta organizada. Tivemos um ano conturbado por uma série de campanhas empreendidas (outras não) que foram abortadas por falta de direcionamento de luta pela atual diretoria do sindicato.

Logo após o termino da greve o consolo que tivemos foi a assessoria jurídica tentar nos convencer de que a derrota seria a melhor das soluções com o argumento ridículo e irritante de que o termo reposição de aulas era mais que suficiente para nos garantir um ganho, pois nos traria de volta (alguns meses depois) o dinheiro que o governo de forma autoritária e covarde nos saqueou. Devolução essa que não ocorreu mesmo após a reposição das aulas. É ilógico discutirmos trabalho sem discutir a remuneração do trabalhador.

Deparamos-nos com o racha, no término da greve, na direção do sindicato que reafirma os reais motivos eleitoreiros do Diretor Geral Ornildo denunciados diversas vezes pela oposição. Além do mais, a direção desgastada e em campanha eleitoral age como um escorpião e ressuscita o sindicato dos precatórios. Não poderia ser mais cômodo, já que nesse ponto de “suposta luta” o Ornildo pode assumir de vez o seu relacionamento político com a raposa felpuda o senador líder do governo Lula, Romero Jucá. Mas ora! Essa relação política existia desde a sua campanha para a diretoria.

Vejamos se da para entender!

A diretoria do sindicato que comandou a derrota na greve desde a sua eleição sempre manteve vínculo com o Jucá. O governador José Anchieta, vulgo Juninho, que caiu de para-quedas no cargo de governador com a morte do Ottomar, conseguiu manter-se no cargo graças a intervenção do Romero Jucá, que por sua vez, é aliado do Ornildo nos precatórios.

Nesta trama política, que não passa de uma dança de cadeiras, quem perde sempre são os trabalhadores, pois nada fica de concreto em suas vidas a não ser a bruta exploração em detrimento de sua liberdade.

E AGORA? Como ficamos? Em verdade vos digo, a única saída é varrer do sindicato os pelegos, ocupá-lo para que possamos usar esse instrumento de luta dos trabalhadores e corrermos atrás dos prejuízos.

Trinta e sete dias de paralisação e a greve acaba melancolicamente com uma canetada de juiz. Protelação, enrolação e vacilo marcaram a postura da diretoria do Sinter. Falta de trabalho de base e pauta “desafinada” foram os marcos do período que antecedeu a greve e a própria greve…

Não sabemos se a desorganização foi por falta de conhecimento ou compromisso efetivo da diretoria do sindicato para com os trabalhadores. O que podemos afirmar é que a construção do movimento não seguiu os passos minimamente corretos que culminassem em uma greve, quanto mais na vitória: construção da pauta com os REs (Representantes de Escola, que politicamente são inócuos), o que acarretou em um desencontro de pauta entre a base e a direção… Enquanto a pauta de reivindicações da base era: 40% de reajuste, progressão vertical, revisão das progressões horizontais, eleições para gestor escolar, concurso público e descentralização da merenda. A pauta da direção era merenda de qualidade, carteiras, material didático, acervo bibliográfico, climatização de 10 escolas (!?) e, por ultimo, a pauta da base.

Durante a greve a direção nunca abriu mão da sua pauta para abraçar a legítima pauta da base, e mesmo tendo passado mais de 5 horas em negociação não conseguiu arrancar nem as reivindicações de própria sua pauta, quanto menos a da base. Após essa reunião o governo Anchieta (PSDB) informou que havia consenso entre as partes em 19 dos 20 pontos de pauta de reivindicação. Pudemos ouvir através da imprensa na mesma ocasião a branda declaração do diretor-geral do sindicato onde afirmava “… que a categoria seria ´compreensiva´ com a situação do Estado…” intensificando, a partir daí a implantação da idéia, recorrente em todo o período de greve, de que esta estaria atrelada a decisão judicial. Como é que se deixa na mão da justiça burguesa uma greve de trabalhadores? A justiça por acaso reconhece as nossas perdas salariais? Reconhece os desmandos do governo com o dinheiro público? E as condições degradantes, prediais e climáticas, para professores e alunos? A justiça, por acaso, já deu alguma resposta sobre o “dossiê merenda podre” entregue pelo Comando de Greve de 2008 (ver postagens anteriores)?

Na realidade os verdadeiros vitoriosos da nossa greve foram:

1. Políticos da banda mais podre de Roraima, alguns fazendo propaganda aberta através de estudantes, com o beneplácito ou não do Sindicato. Deputados estaduais que saíram ilesos da audiência pública, pois segundo disse o diretor geral do Sinter, Ornildo Roberto “tudo foi cancelado com um único telefonema do Deputado Ionilson Sampaio”.

2. PT, que teve uma platéia grátis de professores (todos de vermelhinho) engrossando a fileira e aplaudindo Lula em sua visita a Roraima. Tudo isso para no dia seguinte à “festa”, dar mais brilho à tinta da caneta do juiz que “harmoniosamente” ouviu ao longe os choros dos integrantes da diretoria, e, junto com o sorriso mórbido dos políticos, levou nossa categoria a acreditar que a única saída seria a volta ao trabalho.

3. Anchieta Junior, vulgo Juninho, que mesmo sem força e nem crédito político, sem moral alguma, até mesmo com a vassala mídia burguesa, foi o grande campeão…

E nós, trabalhadores e trabalhadoras em educação de Roraima, como ficamos? Sem salário? Como mercadoria negociada tendo que repor aulas com salário descontado? E os gestores-ditadores até quando vão rir na nossa cara?

RETOMEMOS A LUTA COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS, POIS SÓ ATRAVÉS DELA QUE DAREMOS A VOLTA POR CIMA E SEREMOS VERDADEIRAMENTE VITORIOSOS!!!

A GREVE TEM QUE CONTINUAR!!!

Parabéns trabalhadores em educação de Roraima! A luta continua! Os ataques do governante de plantão (Anchieta Jr.-PSDB) também, mas é através de nossa RESISTÊNCIA que construiremos um movimento maior, que transcenda os limites de reivindicações pontuais para uma pauta maior que é a construção de uma sociedade justa, igualitária e livre.

O governador de Roraima veicula informações distorcidas via televisão e rádio, compara o salário do estado ao miserável salário do professor de nível médio do Rio de Janeiro, como se este fosse o padrão nacional, mas não discute o imenso repasse federal per capita para a educação em Roraima, devido ao baixo número de habitantes. O dinheiro sobra, e as escolas estão caindo e as nossas perdas salariais chegam a mais de 80% (IBGE) para os concursados de 1994, por exemplo. Se nosso salário é maior que o do Rio ou São Paulo é pela luta de anos e anos da categoria, e não benevolência de governo algum. O mesmo governador que vai à televisão mentir para a população, está com indicativo de cassação de mandato (de novo)… Superfaturamento na compra de fardamentos escolares, contratação de empresa picareta para gerenciar a folha de pagamento, sem contar a destruição do aparelho e espaços públicos no estado (hospitais, escolas, praças). Ainda as nefastas terceirizações de atividade-meio (limpeza, merenda, etc.) na educação (e em todas as áreas da administração) fazem parte da velha política neoliberal de FHC (continuada por Lula) e derrotada em grande parte da América Latina. Trata-se de política desumana e superada, mas preconizada pelos governos de plantão de nosso país… Tal política de “gerencialismo”, no âmbito da educação, especificamente em Roraima, significa risco para a saúde de alunos e funcionários, devido à péssima qualidade da merenda.

Por esses e outros motivos acreditamos que a luta é local, mas não só. O sindicato se configura em um instrumento legítimo de luta dos trabalhadores dentro da sociedade de classes, e, como tal, não deve atrelar-se a governo algum ou aos seus interesses, seja na esfera municipal, estadual ou federal. Dizemos “governante de plantão”, pois fosse, em Roraima, um governo aliado ao Lula (PT) a situação não seria diferente. Eles (governantes) são os mesmos, com as mesmas idéias, a mesma corrupção, a mesma velha politicagem. Basta analisar a conjuntura política local para desnudar-se o quadro nacional: Romero Jucá e companhia estão com Lula e o PT, assim como Lula e o PT mantém José Sarney no poder. Ao mesmo tempo a Tereza Jucá, atualmente com Lula, abre possibilidade de ser vice em uma eventual candidatura de Anchieta do PSDB (??). Coronéis e oligarcas dos tempos da ditadura ainda dominam esse país, e uma confusão entre “esquerda e direita” deixam o trabalhador perplexo, desacreditado, vulnerável a populistas-personalistas. Por isso acreditamos que a luta política deve situar-se nas ruas, nos locais de trabalho, através de organizações de base, longe da patifaria da política eleitoreira. Por isso nos denominamos MOVIMENTO, por isso falamos com liberdade, sem rabo preso, sem ter medo de mostrar a cara. Todos conhecem as nossas caras e nunca escondemo-las.

O MOTE é qualquer professor, qualquer trabalhador em educação, que se indigne com a situação em que se encontra a educação no estado de Roraima, a situação em que se encontra o estado de Roraima, a situação em que se encontram o país e o mundo… Somos oposição à política direcional do sindicato pelas razões explicitadas acima, pela atrelação da luta à eleição e interesses eleitoreiros. Política não se faz somente com eleição, isso é muito cômodo. Não se pede licença para mudar a história, e não são os Lulas, Sarneys ou Jucás da vida que transformarão esse país em um lugar minimamente digno de se viver. E que dizer então de uma verdadeira transformação, uma revolução social? Nunca. Para esses e seus asseclas, “revolução” é palavra anacrônica, pois representa tudo o que eles não querem: perda de seus privilégios.

Mantenhamo-nos de pé companheiros!!!

Destituição dos atuais gestores e eleições diretas para gestor escolar!!!

Fim das terceirizações!!!

Por um mundo justo e igualitário!!!

Revolucionar sempre!!!

(mais…)

Companheiros do M.O.T.E. Comando de Greve que não aparece na foto "oficial".

Companheiros do M.O.T.E., membros do Comando de Greve que não aparecem nas fotos “oficiais”. Encontro com companheiros Camponeses, plena ação direta na greve de 2008 - Sul do estado.

Uma vez mais a categoria foi passada para trás pela direção do SINTER e seus pares (PT, PSOL e PCdoB). Nunca é demais lembrar que as conquistas obtidas pela categoria no ano de 2008 foram efetivadas através da resistência e manifestações da própria categoria. Se tivessemos seguido as posições da direção do sindicato, não teríamos sequer nos mobilizado ou entrado em greve e, assim, garantido o reajuste de 15% (aliás, 10% segundo a direção do SINTER) para outubro (2008), após as eleições municipais, acordado com o governo Anchieta (PSDB).

A direção do SINTER nunca foi a favor da greve, jamais saiu em defesa ou em favor da categoria. Foram os companheiros da base que empurraram a greve garganta abaixo, impondo a sua vontade, inclusive interior do estado a fora. Se os trabalhadores em educação querem novamente arrancar qualquer reajuste, ou melhorias na situação da educação pública, do governo estadual, precisam se organizar. No local de trabalho, em suas regiões, cidades e vilas, e, assim, impor uma vez mais a sua vontade. E seja dito que reajuste salarial não basta (e os 20%, para 2009, que a direção do SINTER induziu a categoria a acreditar na sua existência!?). Reivindicamos melhores condições de trabalho, maior representação no sindicato (via conselho de Representantes de Escola, como definido no estatuto do mesmo), fim das terceirização e horas-aula, merenda escolar digna, escola digna (não fantasma), concurso público imediato, além de DIRETAS JÁ PARA GESTOR ESCOLAR!

Paralisação do dia 26 de março de 2009

A paralisação que ocorreu este ano foi proposta dos companheiros da base, caso isso não ocorresse não haveria nenhuma manifestação da categoria este ano. Mais uma vez a direção protelou o prazo empurrando-o para uma data mais distante com a desculpa esdrúxula “da proximidade da data”, que a categoria não deveria “se precipitar”, teria de ser “coerente”, e uma série estereotipada de fraseologia pelega que não tem absolutamente nada a acrescentar de prático ou objetivo em nossa luta.

Na referida paralisação os companheiros da base propuseram mais uma paralisação de INDICAÇÃO PARA A GREVE (conforme determina a legislação para ocorrência de greve), caso o governo não desse uma resposta por escrito com relação as reivindicações da categoria. Mas, o que de fato aconteceu? A direção do sindicato, com a desculpa, de que, em maio do corrente ano, haveria o congresso do SINTER, e que ali estariam presentes os trabalhadores dos municípios, prorrogou o prazo mais uma vez.

Ou seja, nos “embromaram”, “enrolaram”, em um claro e absurdo apoio ao governo tucano de Anchieta Junior, que, obviamente, como a diretoria do SINTER, não quer greve alguma (a não ser na retórica). Talvez queiram é se candidatar, alguns deles (e para isso utilizam-se do sindicato).

O Congresso…

Enfim, em Maio, chega o Congresso da categoria. Este que deveria ser a instância máxima deliberativa dos Trabalhadores em Educação do Estado de Roraima. Vejamos… TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO, não representantes do PATRÃO, como o moribundo secretário de educação Luciano Moreira, convidado da diretoria do SINTER para o nosso Congresso, e, apoiador do “clã” SARNEY, golpista no Maranhão (o Srº Luciano foi assumir uma pasta no Estado do Maranhão após o golpe dos Sarney contra Jackson Lago), ou, pior, membros da famigerada JUNTA MÉDICA PERICIAL OFICIAL DO ESTADO DE RORAIMA, já denunciada por este MOVIMENTO neste blog, pelo cometimento de absurdos médico-jurídico e perseguição política (e, o “tal” médico, na “mesa” foi apoiado em suas falações por membro da diretoria desse sindicato).

Aliás, companheiro trabalhador em educação, você sabia que NENHUM DAQUELES MÉDICOS QUE NOS ATENDEM SÃO CONCURSADOS OU ESPECIALISTAS?? E QUE ELES MENTEM QUANDO TENTAM NOS ATERRORIZAR??

O Congresso, haja vista as péssimas condições técnicas (não se ouvia nada a poucos metros da mesa), e organização clássica, PETISTA- STALINISTA (quem tinha o que dizer, poucos minutos tinha), se demonstrou um monólogo, nunca um debate ou muito menos uma Assembléia (como deveria de ser). Não se discutiu com relação às centrais sindicais (CUT ou CONLUTAS?), a saúde dos trabalhadores em educação (de modo isento, amparado em dados da OIT-ONU, outros sindicatos, e não “capachos” do governo estadual), ou aos inúmeros pontos de pauta, nacionais ou locais, da categoria.

Os professores questionados por este Movimento, por dezenas de simpatizantes, sequer sabiam o que estava acontecendo no congresso. O X Congresso dos trabalhadores em Educação foi “uma aula” de despolitização. Da abertura ao encerramento, nenhuma crítica levada a efeito a governo algum (federal, estadual, municipal); parecia que estávamos no país das maravilhas (ou numa aula de curso de direito ou seminário de medicina), e, mais uma vez, foram os companheiros da base que fizeram a diferença, tecendo uma série de críticas e propondo a mobilização imediata em defesa das reivindicações da categoria.

O MOTE NÃO SE CALA JAMAIS. CONTRA A POLÍTICA DE COLABORAÇÃO DE CLASSE!

DIRETAS JÁ PARA GESTOR ESCOLAR!

FORA ORNILDO! FORA ANCHIETA!

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É lamentável constatarmos o tratamento que o profissional de educação recebe quando julgam que ele não tem mais utilidade, ou seja,  quando adoece ou quando está prestes a se aposentar.Nesse momento percebemos o quanto a sociedade capitalista não vê a pessoa e sim  apenas a sua produção e o lucro que proporciona à burguesia ou ao estado burguês.

 

No caso específico de Roraima, o quadro da saúde do servidor público é repugnante, pois temos uma junta médica pericial que não se preocupa com o encaminhamento do paciente para um especialista condizente com a sua enfermidade. Para ilustrar o descaso podemos citar alguns exemplos: avaliam-se professores com problemas de garganta através de ginecologistas ou pediatras, com problemas psiquiátricos, através de clínico geral, pediatras ou ginecologistas!  Isto acarreta em uma confusão na Ciência Médica, ou seja: médico não especialista nega laudo de médico especialista. Como pode tamanha inversão na ética médica? Seria o mesmo que um professor de língua portuguesa contestasse abertamente uma explicação de um professor de educação física.

Indagamo-nos e propomos o seguinte questionamento: Será que é por falta de conhecimento, má fé, ou puro e cego cumprimento de absurda ordem hierárquica por parte dos médicos que compõe a junta médica pericial do estado de Roraima? O fato de estar”cumprindo ordens” não significa que o profissional deva cumprir ordens absurdas. Lembremos que muitos carrascos nazistas afirmavam estar somente “cumprindo ordens”. Além desse fato, professores são destratados e humilhados, pois tem desrespeitada a sua condição de paciente. A idéia de culpa por sua própria doença, incapacidade para o trabalho ou até a falsificação de sua enfermidade, por preguiça, é direta ou indiretamente incutida no servidor. Todo esse processo de “culpar o enfermo por sua enfermidade” começa na escola, através de supervisores e diretores, segue para a SECD (Secretaria de Educação, Cultura e Desporto), onde o professor muitas vezes ouve chacotas dos atendentes, o famoso “doente de novo!?”, quando apresentado o laudo médico, e, enfim, segue para a berlinda citada: a junta médica pericial e suas negativas sem fundamento. Até as remoções do trabalhador em educação por motivo de saúde, prevista na lei 053/01 (e inclusive na portaria 3166/08/SECD/GAB/RR) são deliberadamente negadas, sem qualquer justificativa.

 

Não podemos mais admitir a falta de respeito com questão que toca a dignidade humana: a saúde. Situações absurdas, como diretores que tentam impor o “pagamento” de atestado médico, informando alunos e comunidade escolar que o trabalhador está em “defict” com a escola, “devendo aula”, pois adoeceu… Tudo isso para isentar o estado da contratação de profissionais substitutos, o que é de sua obrigação.

Qual a posição real, efetiva de nossa entidade sindical, o Sinter?? E as grandes centrais sindicais? e a CNTE?   Tais entidades, governistas, muitas vezes acobertam ou fazem vista grossa para o adoecimento e humilhação do profissional de educação. Em resumo: o professor não pode adoecer, pois adoecendo não tem amparo (plano de saúde, caos na saúde pública), adoecendo, torna-se o “culpado”, o “réu” de sua condição de enfermo… É bom lembrarmos que o agravamento da saúde do trabalhador em educação vem do nefasto período Fernando Henrique Cardoso, que aumentou a carga horária  anual, alem de horas extras – sala de aula, não computadas. O governo Lula mantém a situação, e, através das centrais e pelegos sindicais, propõe tão somente o nivelamento salarial por baixo, ignorando a insalubridade a que são submetidos os trabalhadores em educação. O autoritarismo de diretores de escola e centros regionais, a indisciplina dos alunos, a superlotação das salas de aula, e o desfoque educacional do papel do professor (tem que ser assistente social, pai, mãe, médico, etc.) fazem adoecer o professor, que, longe de ser um mártir, como pregam determinadas correntes teóricas conservadoras na área de ciências da educação, é mais um trabalhador super explorado. Somemos às questões gerais da profissão, comum aos profissionais de educação, as questões regionais, que contribuem para a situação de calamidade em que se encontra a saúde do professor: calor insuportável em salas de aula mal ventiladas e não climatizadas, escolas sem água potável, sem luz elétrica, deterioradas estruturalmente, algumas sem paredes, sem telhado, sem nada…

 

DADOS DA UNESCO/OIT – ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO e APEOSP - Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (2003)

 O ensino possui características particulares, geradoras de estresse e de alterações do comportamento dos que nele trabalham. Estudos realizados em diversos países da América e da Europa têm demonstrado que os docentes estão permanentemente sujeitos a uma deterioração progressiva da sua saúde mental.O estresse já é reconhecido por organismos internacionais como “enfermidade profissional”, cujos efeitos atingem inclusive o ambiente escolar. É considerado pela OIT não somente como um fenômeno isolado mas “um risco ocupacional significativo da profissão”.

Por outro lado, as especialidades médicas ligadas ao maior número de dispensas para o pessoal docente são, em diferentes países, as de psiquiatria , neurologia, otorrinolaringologia, reumatologia, traumatologia, hematologia e doenças cardiovasculares, o que tem permitido caracterizar um quadro de doenças profissionais da categoria. No Brasil é grande o número de professores “readaptados” (afastados temporária ou permanentemente para atividades administrativas) afetados por uma ou algumas doenças desse conjunto, ou de professores que se mantêm com sucessivas licenças-saúde e, não raro, como objeto de desprezo e como fonte de problemas para os quadros docente e discente .

 

MAIS:

                            

A fadiga mental acontece quando há…

 

1. trabalho que exige muita atenção com o público;

2. conflitos nas relações pessoais motivados ou acentuados pela múltipla convivência (idem para aumento de possibilidade de contrair doenças infecciosas, parasitárias, etc.);                                                                                   

3. autoritarismo burocrático;

4. excesso de responsabilidade para o tempo e os meios de que dispõe, obrigando-se o professor a realizar mal o seu próprio trabalho;

5. insegurança cotidiana típica de serviço sobre o qual não se podem estabelecer normas precisas e quantidades de ações que resultem, necessariamente, no objetivo desejado, e conseqüente dificuldade de avaliação quanto aos resultados alcançados.

Além da sobrecarga psíquica, problemas físicos:

1. irritações e alergias especialmente na pele e nas vias respiratórias provocadas pelo pó de giz;

2. calos nas cordas vocais;

3. sobrecargas musculares e para o sistema circulatório provocadas por excessiva permanência em posturas incômodas (muito tempo em pé ou em assentos não ergonômicos);

Professores de outros países também sofrem com as doenças profissionais?

Instituições de pesquisa em países como Suécia, França, Alemanha e Espanha revelam uma grande corrida de professores a tratamentos psicoterapêuticos. Nestes países, o risco de esgotamento físico e mental é a causa do crescente abandono da docência.

Na França, estudos sobre a saúde mental dos docentes mostram que os diagnósticos mais freqüentes são: estados neuróticos (27%); estados depressivos (26.2%) personalidades e caracteres patológicos (17,6%) estados psicóticos, psicoses maníaco-depressivas (7,4%) e esquizofrenias (6,6%). Esses estudos mostram também que a freqüência desses diagnósticos é maior entre docentes do que em outros grupos profissionais.

Por isso é compreensível que a preocupação dos organismos internacionais com as condições do trabalho escolar volte-se também para a saúde dos professores: para que se permita um ótimo desenvolvimento do processo de aprendizagem e melhor qualidade do ensino, é necessário o bem estar integral, físico, psíquico e social de toda a comunidade educativa escolar.

 

No Brasil, as condições de trabalho pioram a situação

Em outros países, tentam-se compensar as estressantes características do trabalho docente com melhorias das condições de trabalho. A Conferência Intergovernamental Especial sobre a situação do pessoal docente convocada pela UNESCO em colaboração com OIT em Paris, 1966, por exemplo, recomenda a melhoria das condições de trabalho como elemento central para a melhor quaais na escola, das quais entre 18 e 24 de atenção direta ao alunado (observando-se que essa diferença não é ainda suficiente para atender às tarefas extra-classe tais como programação, coordenação, auto-preparação, preparação e correção de provas e de exercícios, preenchimento dos diários de classe, elaboração das médias, etc.). No Brasil, entretanto, as jornadas situam-se em torno de 45 aulas semanais, sendo raros os casos em que parte desse tempo (em geral entre 10% e 20%) é dedicado aos trabalhos extra-classe. Com isso muitas dessas atividades inerentes ao ensino têm que ser realizadas em casa pelo docente. A sobrecarga de horas extraordinárias (além de tudo não pagas) tem efeitos particularmente nocivos sobre as condições de trabalho (e de saúde dos educadores), uma vez que torna mais acentuadas as condições já estressantes do trabalho realizado em “condições normais”.

 

Excesso de alunos por classe

 

Ainda segundo a conferência UNESCO/OIT, o número adequado de alunos por classe deve situar-se entre 20 e 30 no máximo, uma vez que as classes menores favorecem o estudo e a atenção docente individualizada, além de reduzirem a tensão e a intensidade da tarefa docente, corrigindo importante fator de estresse. Observe-se que no Brasil, não raro, o número de alunos é superior a 50 por classe. Há professores que chegam a lecionar para até cerca de mil alunos, em até mais de vinte classes.

No Brasil verifica-se, portanto, que as más condições de trabalho acentuam de maneira dramática a penosidade da profissão de professor, especialmente por que acrescentam:

 

1. Sentimento de desprestígio pelos maus salários (a falta de reconhecimento social é fonte de mal-estar no trabalho);

 

2. submissão a jornadas excessivas;

3. falta de perspectivas profissionais;

4. insegurança, ansiedade e angústia, provocadas pelos baixos salários e pela instabilidade no cargo;

5. incapacitação provocada pela escassez de recursos didáticos;

6. Conseqüências negativas para o resultado do trabalho que realizam e para sua própria pessoa.

 

As professoras são mais atingidas:

Estudos têm demonstrado que a crença generalizada de que as professoras faltam mais à escola que os professores não corresponde à realidade. No entanto, estando submetidas à dupla jornada de trabalho, ficam mais suscetíveis aos acidentes de trabalho e às doenças profissionais, doenças crônicas e aos quadros depressivos. Embora a mulher assuma maior responsabilidade frente às tarefas domésticas, suas faltas são semelhantes ou mesmo ligeiramente inferiores às dos homens. Porém é maior o número de faltas de professoras justificadas por dispensas médicas, o que mostra a maior incidência nas mulheres de doenças tipicamente profissionais da docência.

 

fonte:http://apeoespsub.org.br/

 

 


Educação Especial - Uma Reflexão

17 de fevereiro de 2009

 Segue texto de companheiros da corrente  de oposição “Educadores em Luta” que atuam na educação especial em Roraima:

É necessário que façamos uma discussão aberta sobre a inclusão escolar que vem acontecendo. Em primeiro lugar, perguntamos a quem realmente favorece? Para darmos resposta a essa questão temos que verificar o que nossos alunos inclusos precisam para ter uma inclusão mais digna, que com certeza podemos responder que é ter uma profissão e um convívio social. É o que a escola pode e deve oferecer, pois são alguns de seus papéis. A questão que sempre nos deparamos é que muitos inclusos, não vêem nenhum sentido nos conhecimentos científicos e dessa forma vem o impasse, a escola deve mudar o seu papel para atender esses alunos? E os outros, como ficam? A quem os professores devem satisfazer? Existe de fato um meio termo?

Quando falamos de alunos cegos, temos a clareza que além de adaptação física teremos um material em Braille e fica resolvido.

Quando falarmos de surdos, basta a comunidade escolar aprender Libras e interagir com eles.

Quando falamos de cadeirantes, pensamos em elevadores, rampas, portas e resolvemos, mas quando falamos de deficientes mentais (DM), que não vêem o menor sentido em tudo que a escola ensina, é que nos deparamos com toda discussão a que nos referimos anteriormente, ou seja, mesmo que tenhamos estrutura física preparada, professores capacitados, a inclusão não é possível.

Imaginamos um professor que tenha em suas salas, alunos surdos, cegos, DM e cadeirantes. Ele vai planejar sua aula normalmente, depois transcrever para o Braille, preparar um material visual para os surdos, e uma outra atividade para os DM`s. Isso faria com que ele triplicasse o tempo de planejamento. Na aula ele teria que falar em duas línguas, isso é possível?

É muito fácil e muito bonito defendermos a inclusão escolar, afinal de contas sai muito mais barato e atrasa o desenvolvimento dos alunos, que é esplendoroso para quem está no poder. Importante, é a inclusão social, para isso temos que respeitar as diferenças e atender a todos, levando em conta cada particularidade. Afinal aqueles que são minoria também têm direito ao desenvolvimento.

 

O Movimento de Organização dos Trabalhadores em Educação de Roraima (MOTE-RR) Vem a Público Denunciar

 

É com pesar que denunciamos a prática do governo, que perdura ano a ano em Roraima: a cada final de ano e início de ano letivo, professores são humilhados e desestabilizados, profissionalmente, psicologicamente e financeiramente, com práticas autoritárias e ultrapassadas, que só encontram eco no nosso estado, abandonadas de há muito nas outras unidades da federação.

Desestruturação Profissional: perdemos o vínculo com a comunidade e são prejudicados  os projetos político-pedagógicos desenvolvidos nas escolas, devido  às remoções arbitrárias.

Desestabilização Psicológica: os professores não têm estabilidade porque é quebrada a rotina de seu local de trabalho. Mudanças de lotação ocorrem muitas vezes de forma humilhante, com o servidor sendo dispensado como “indesejável”, por motivos pessoais e até de saúde.

Desestabilização Financeira: com a remoção para locais mais distantes e carga horária aleatória, os gastos com transporte ficam imprevisíveis, além da possível perda de outras atividades que o profissional venha a desempenhar em sua vida profissional, acadêmica ou particular.

Estes são alguns dos prejuízos que podemos detectar a principio com o problema da instabilidade de local de trabalho e o mandonismo autoritário dos diretores-gestores (eufemismo para “gerente”).

 Como ocorre tal absurdo?

Cada diretor ao ser nomeado  tem , com o incentivo da política do governo, e o beneplácito da máquina burocrática viciada, a certeza de que a escola é de sua propriedade, e, os professores e demais trabalhadores da escola, seus funcionários particulares. Essa prática absolutamente antipedagógica lhe permite transferir, ao seu bel prazer, aquele servidor público que não é de seu agrado, inclusive desconsiderando situações que envolvem saúde do profissional, faltando com respeito ao ser humano e até aos profissionais da medicina.  Esse absurdo nada mais é do que a reificacão do ser humano, tornando-o coisa, autômato, operário alienado.

Por detrás de toda essa questão, aparentemente administrativa, existe o propósito maior de se podar o professor em sua verdadeira função social: fomentar a educação da população e, dessa forma, construir uma sociedade consciente, a partir de uma escola verdadeiramente democrática, com pessoas não alienadas e politicamente ativas. Pessoas que nunca venderiam seus votos, e, certamente iriam às ruas contra tais desmandos.

E o SINTER… nosso sindicato?

Esta que deveria ser a entidade que nos representa e defende, nos deixa ano após ano à mercê do governo e da politicagem coronelística e ditatorial da atual máquina administrativa, através da secretaria e seus diretores-gerentes nomeados.

Aproveitamos para chamar a todos os companheiros trabalhadores em educação para darmos um basta e iniciarmos a mobilização pela democratização e autonomia da escola pública.

Eleições DIRETAS JÁ para gestor escolar!!!

Foto do artista capichaba Gracio, de 1984

Ilustração do artista capichaba Gracio, de 1984

 

Por uma escola auto-gestionada pela própria comunidade escolar.

Professor, trabalhador em educação, fale conosco!  Relate sua experiência, faça parte do nosso movimento. Deixe seu recado no blog  http://greveprofessoresrr.blog.terra.com.br/

 ou escreva para   mote.sinter@yahoo.com.br

Abraços fraternos!

MOTE-RR

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