Direito de Greve, Dever de Greve!
8 de junho de 2008

Final da década de 1970, São Paulo-SP, início dos movimentos grevistas na região industrial do ABC.
Amanhã, segunda feira, 09 de Junho de 2008, às 9h00, ocorrerá uma audiência de conciliação na 8ª Vara Civil do Tribunal de Justiça do Estado de Roraima, entre SINTER e Governo. Audiência marcada após o Estado pedir a ilegalidade da greve dos trabalhadores em educação. É uma data de suma importância para nosso movimento, afinal, além de demonstrarmos disposição ao diálogo, o governo terá de se explicar com relação aos nossos pontos de reivindicação. Todos devem comparecer à Praça do Centro Cívico às 9h00!
A hora nos pede uma reflexão sobre o direito de greve, CONSTITUCIONAL, mas nem sempre respeitado por justiça e empregadores, seja governo, seja iniciativa privada. A pergunta que deve ficar é a seguinte: o EDUCADOR que se depara com um sistema educacional decrepto e que põe em risco não só o processo de ensino-aprendizagem de seus alunos, mas sua própria VIDA, não teria o direito, mas, também, o DEVER de entrar em greve? E esse não deveria ser um direito universal de TODOS os trabalhadores, um dos mais válidos instrumentos de luta de classe?
Abaixo, o dispositivo legal:
DIREITO DE GREVE
A Constituição Federal, em seu artigo 9º e a Lei nº 7.783/89 asseguram o direito de greve a todo trabalhador, competindo-lhe a oportunidade de exercê-lo sobre os interesses que devam por meio dele defender.
LEGITIMIDADE DO EXERCÍCIO DA GREVE
Considera-se legítimo o exercício de greve, com a suspensão coletiva temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação de serviços, quando o empregador ou a entidade patronal, correspondentes tiverem sido pré-avisadas 72 horas, nas atividades essenciais e 48 horas nas demais.
A greve também é lícita quando não for contra decisão judicial.
DIREITO DOS GREVISTAS
São assegurados aos grevistas:
- o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem a greve;
- a arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento. 
foto da greve geral de 1917, São Paulo, Brasil - não havia qualquer direito de greve nessa época!
Aos companheiros ficam essas palavras de reflexão, na composição inspirada de Chico César:
Nas Fronteiras do Mundo (En las fronteras del mundo)
Chico César
Composição: Luis Pastor/ Chico César-versão para português:Chico César
Sou tu sou ele
E muitos que nem conheço
Pelas fronteiras do mundo
E no medo em seus olhos
Jogado à própria sorte
E à ambição de poucos
Soy tu soy él
Y muchos que aqui no llegan
Desperdigados del hambre
Despojados de la tierra
Olvidados del destino
Heridos en tantas guerras
Sou tu sou ele
Nós todos e todos eles
Escravos do novo século
Obrigados ao desterro
Desterrados pela vida
Condenados ao inferno
Soy tu soy él
Sou tu sou ele
Soy tu soy él
Mano de obra barata
Sin contrato sin papeles
Sin trabajo e sin casa
Ilegales sin derechos
O legales sin palabra
Sou tu sou ele
E uma foto na carteira
De onde te olham os olhos
Três meninos e uma velha
Que esperam poder salvar-se
Com o dinheiro que nao chega
Soy tu soy él
En el nuevo paraíso
Horizonte de grandeza
De los que serán más ricos
Construyendo su fortuna
Con la sangre de tus hijos
Sou tu sou ele
Aquarela de mil cores
Humano de muitas raças
Caldo de muitos sabores
Nas portas de um futuro
Que nos nega seus favores
Soy tu soy él
Sou tu sou ele
E muitos que nem conheço
Y muchos que aqui no llegan
Nós todos e todos eles
Mano de obra barata
E uma foto na carteira
En el nuevo paraíso
Aquarela de mil cores
Soy tu sou ele
Sou tu soy él


Comentário por Comando de Greve — 10 de junho de 2008 (22:36)
Companheiros,
A LUTA CONTINUA,
Informamos que a greve não teve fim, uma vez que não houve acordo com a SECD, após a segunda audiência. Lembramos que a decisão de permanecer em GREVE fora tomada pela base após a vergonhosa proposta de 12% de aumento salarial, sem nenhuma perspectiva para o próximo ano base, ou seja, não alcançando nem mesmo a metada da metade do que fora reinvidicado conforme um dos 22 itens da pauta.
Lembramos que a pressão será grande, porém teremos que ser FORTES, temos que nos unir a cada dia para que estejamos fortalecidos para enfrentar mais essa batalha.
Amanhã, estaremos todos na praça com o movimento, vá até a sua escola e chame ao colega que tem aderido a pressão dos gestores e do próprio governo, uma vez que nós professores não devemos ser carrapatos , mas sim fortes bois que ajudam a arar a terra.
Até amanhã.