Educação de Roraima Mobilizada! Indignar-se é preciso!

O Movimento de Organização dos Trabalhadores em Educação de Roraima (MOTE-RR) Vem a Público Denunciar

 

É com pesar que denunciamos a prática do governo, que perdura ano a ano em Roraima: a cada final de ano e início de ano letivo, professores são humilhados e desestabilizados, profissionalmente, psicologicamente e financeiramente, com práticas autoritárias e ultrapassadas, que só encontram eco no nosso estado, abandonadas de há muito nas outras unidades da federação.

Desestruturação Profissional: perdemos o vínculo com a comunidade e são prejudicados  os projetos político-pedagógicos desenvolvidos nas escolas, devido  às remoções arbitrárias.

Desestabilização Psicológica: os professores não têm estabilidade porque é quebrada a rotina de seu local de trabalho. Mudanças de lotação ocorrem muitas vezes de forma humilhante, com o servidor sendo dispensado como “indesejável”, por motivos pessoais e até de saúde.

Desestabilização Financeira: com a remoção para locais mais distantes e carga horária aleatória, os gastos com transporte ficam imprevisíveis, além da possível perda de outras atividades que o profissional venha a desempenhar em sua vida profissional, acadêmica ou particular.

Estes são alguns dos prejuízos que podemos detectar a principio com o problema da instabilidade de local de trabalho e o mandonismo autoritário dos diretores-gestores (eufemismo para “gerente”).

 Como ocorre tal absurdo?

Cada diretor ao ser nomeado  tem , com o incentivo da política do governo, e o beneplácito da máquina burocrática viciada, a certeza de que a escola é de sua propriedade, e, os professores e demais trabalhadores da escola, seus funcionários particulares. Essa prática absolutamente antipedagógica lhe permite transferir, ao seu bel prazer, aquele servidor público que não é de seu agrado, inclusive desconsiderando situações que envolvem saúde do profissional, faltando com respeito ao ser humano e até aos profissionais da medicina.  Esse absurdo nada mais é do que a reificacão do ser humano, tornando-o coisa, autômato, operário alienado.

Por detrás de toda essa questão, aparentemente administrativa, existe o propósito maior de se podar o professor em sua verdadeira função social: fomentar a educação da população e, dessa forma, construir uma sociedade consciente, a partir de uma escola verdadeiramente democrática, com pessoas não alienadas e politicamente ativas. Pessoas que nunca venderiam seus votos, e, certamente iriam às ruas contra tais desmandos.

E o SINTER… nosso sindicato?

Esta que deveria ser a entidade que nos representa e defende, nos deixa ano após ano à mercê do governo e da politicagem coronelística e ditatorial da atual máquina administrativa, através da secretaria e seus diretores-gerentes nomeados.

Aproveitamos para chamar a todos os companheiros trabalhadores em educação para darmos um basta e iniciarmos a mobilização pela democratização e autonomia da escola pública.

Eleições DIRETAS JÁ para gestor escolar!!!

Foto do artista capichaba Gracio, de 1984

Ilustração do artista capichaba Gracio, de 1984

 

Por uma escola auto-gestionada pela própria comunidade escolar.

Professor, trabalhador em educação, fale conosco!  Relate sua experiência, faça parte do nosso movimento. Deixe seu recado no blog  http://greveprofessoresrr.blog.terra.com.br/

 ou escreva para   mote.sinter@yahoo.com.br

Abraços fraternos!

MOTE-RR

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5 Comentários »

  1. Comentário por J. S. — 30 de janeiro de 2009 (17:10)

    Companheiros, parabéns pela vossa indignação, que deveria ser a de todos, a do sindicato principalmente, que parece não se importar com o povo do interior.

    Rorainópolis

  2. Comentário por Índio — 1 de fevereiro de 2009 (12:09)

    Tá na hora de acabar com essa patifaria. Chega de politicagem…

  3. Comentário por ANônimo — 6 de fevereiro de 2009 (21:44)

    Escrevo anônimo pelo medo de represálias. Na cidade de Mucajaí tem gente trabalhando doente, tomando remédio tarja preta, devido as pressões da direção com relação a lotação ou ter de pagar atestado. Não tem mais ninguém lá, nem do sindicato, nem do comando de greve. Onde isso vai parar? escravidão?

  4. Comentário por Chrystian Paiva — 15 de fevereiro de 2009 (12:29)

    Componho e apoio o M.O.T.E. Apesar de afastado por motivo de saúde, e não poder participar ativamente da luta. Tenho sofrido perseguição, desconto de salário indevido, humilhações, enfim, tudo aquilo que sofre um professor nesse estado. E tudo depois de ter lutado com unhas e dentes em uma greve que resultou nesse aumentozinho miserável e não mudou a estrutura do sistema em nada…

  5. Comentário por Chrystian Paiva — 15 de fevereiro de 2009 (12:55)

    Continuação:

    Sinto vergonha quando encontro colegas do interior que me informam que a situação está pior, muito pior… Alguns me cobram, confundindo minha figura com a do sindicato… cansei de ouvir “vocês esqueceram da gente… e aquele monte de coisa, ar condicionado, melhoria das escolas, etc, etc…”. Um companheiro de Mucajaí recentemente afirmou que as escolas que fotografamos continuam na mesma, acrescido, agora, da infestação por ratos…
    Pois bem, as escolas de ficção continuam, a merenda ruim ou inexistente continua, o assédio moral continua, a ditadura dos diretores e sua incompetência continuam, as doenças do trabalho continuam, as salas com 45 graus continuam, as progrssões mal pagas continuam. Até quando aguentaremos calados todo esse inferno? Será que lutar por mais 10 ou 15% é o que basta?

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