Educação de Roraima Mobilizada! Indignar-se é preciso!

 

É lamentável constatarmos o tratamento que o profissional de educação recebe quando julgam que ele não tem mais utilidade, ou seja,  quando adoece ou quando está prestes a se aposentar.Nesse momento percebemos o quanto a sociedade capitalista não vê a pessoa e sim  apenas a sua produção e o lucro que proporciona à burguesia ou ao estado burguês.

 

No caso específico de Roraima, o quadro da saúde do servidor público é repugnante, pois temos uma junta médica pericial que não se preocupa com o encaminhamento do paciente para um especialista condizente com a sua enfermidade. Para ilustrar o descaso podemos citar alguns exemplos: avaliam-se professores com problemas de garganta através de ginecologistas ou pediatras, com problemas psiquiátricos, através de clínico geral, pediatras ou ginecologistas!  Isto acarreta em uma confusão na Ciência Médica, ou seja: médico não especialista nega laudo de médico especialista. Como pode tamanha inversão na ética médica? Seria o mesmo que um professor de língua portuguesa contestasse abertamente uma explicação de um professor de educação física.

Indagamo-nos e propomos o seguinte questionamento: Será que é por falta de conhecimento, má fé, ou puro e cego cumprimento de absurda ordem hierárquica por parte dos médicos que compõe a junta médica pericial do estado de Roraima? O fato de estar”cumprindo ordens” não significa que o profissional deva cumprir ordens absurdas. Lembremos que muitos carrascos nazistas afirmavam estar somente “cumprindo ordens”. Além desse fato, professores são destratados e humilhados, pois tem desrespeitada a sua condição de paciente. A idéia de culpa por sua própria doença, incapacidade para o trabalho ou até a falsificação de sua enfermidade, por preguiça, é direta ou indiretamente incutida no servidor. Todo esse processo de “culpar o enfermo por sua enfermidade” começa na escola, através de supervisores e diretores, segue para a SECD (Secretaria de Educação, Cultura e Desporto), onde o professor muitas vezes ouve chacotas dos atendentes, o famoso “doente de novo!?”, quando apresentado o laudo médico, e, enfim, segue para a berlinda citada: a junta médica pericial e suas negativas sem fundamento. Até as remoções do trabalhador em educação por motivo de saúde, prevista na lei 053/01 (e inclusive na portaria 3166/08/SECD/GAB/RR) são deliberadamente negadas, sem qualquer justificativa.

 

Não podemos mais admitir a falta de respeito com questão que toca a dignidade humana: a saúde. Situações absurdas, como diretores que tentam impor o “pagamento” de atestado médico, informando alunos e comunidade escolar que o trabalhador está em “defict” com a escola, “devendo aula”, pois adoeceu… Tudo isso para isentar o estado da contratação de profissionais substitutos, o que é de sua obrigação.

Qual a posição real, efetiva de nossa entidade sindical, o Sinter?? E as grandes centrais sindicais? e a CNTE?   Tais entidades, governistas, muitas vezes acobertam ou fazem vista grossa para o adoecimento e humilhação do profissional de educação. Em resumo: o professor não pode adoecer, pois adoecendo não tem amparo (plano de saúde, caos na saúde pública), adoecendo, torna-se o “culpado”, o “réu” de sua condição de enfermo… É bom lembrarmos que o agravamento da saúde do trabalhador em educação vem do nefasto período Fernando Henrique Cardoso, que aumentou a carga horária  anual, alem de horas extras – sala de aula, não computadas. O governo Lula mantém a situação, e, através das centrais e pelegos sindicais, propõe tão somente o nivelamento salarial por baixo, ignorando a insalubridade a que são submetidos os trabalhadores em educação. O autoritarismo de diretores de escola e centros regionais, a indisciplina dos alunos, a superlotação das salas de aula, e o desfoque educacional do papel do professor (tem que ser assistente social, pai, mãe, médico, etc.) fazem adoecer o professor, que, longe de ser um mártir, como pregam determinadas correntes teóricas conservadoras na área de ciências da educação, é mais um trabalhador super explorado. Somemos às questões gerais da profissão, comum aos profissionais de educação, as questões regionais, que contribuem para a situação de calamidade em que se encontra a saúde do professor: calor insuportável em salas de aula mal ventiladas e não climatizadas, escolas sem água potável, sem luz elétrica, deterioradas estruturalmente, algumas sem paredes, sem telhado, sem nada…

 

DADOS DA UNESCO/OIT – ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO e APEOSP - Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (2003)

 O ensino possui características particulares, geradoras de estresse e de alterações do comportamento dos que nele trabalham. Estudos realizados em diversos países da América e da Europa têm demonstrado que os docentes estão permanentemente sujeitos a uma deterioração progressiva da sua saúde mental.O estresse já é reconhecido por organismos internacionais como “enfermidade profissional”, cujos efeitos atingem inclusive o ambiente escolar. É considerado pela OIT não somente como um fenômeno isolado mas “um risco ocupacional significativo da profissão”.

Por outro lado, as especialidades médicas ligadas ao maior número de dispensas para o pessoal docente são, em diferentes países, as de psiquiatria , neurologia, otorrinolaringologia, reumatologia, traumatologia, hematologia e doenças cardiovasculares, o que tem permitido caracterizar um quadro de doenças profissionais da categoria. No Brasil é grande o número de professores “readaptados” (afastados temporária ou permanentemente para atividades administrativas) afetados por uma ou algumas doenças desse conjunto, ou de professores que se mantêm com sucessivas licenças-saúde e, não raro, como objeto de desprezo e como fonte de problemas para os quadros docente e discente .

 

MAIS:

                            

A fadiga mental acontece quando há…

 

1. trabalho que exige muita atenção com o público;

2. conflitos nas relações pessoais motivados ou acentuados pela múltipla convivência (idem para aumento de possibilidade de contrair doenças infecciosas, parasitárias, etc.);                                                                                   

3. autoritarismo burocrático;

4. excesso de responsabilidade para o tempo e os meios de que dispõe, obrigando-se o professor a realizar mal o seu próprio trabalho;

5. insegurança cotidiana típica de serviço sobre o qual não se podem estabelecer normas precisas e quantidades de ações que resultem, necessariamente, no objetivo desejado, e conseqüente dificuldade de avaliação quanto aos resultados alcançados.

Além da sobrecarga psíquica, problemas físicos:

1. irritações e alergias especialmente na pele e nas vias respiratórias provocadas pelo pó de giz;

2. calos nas cordas vocais;

3. sobrecargas musculares e para o sistema circulatório provocadas por excessiva permanência em posturas incômodas (muito tempo em pé ou em assentos não ergonômicos);

Professores de outros países também sofrem com as doenças profissionais?

Instituições de pesquisa em países como Suécia, França, Alemanha e Espanha revelam uma grande corrida de professores a tratamentos psicoterapêuticos. Nestes países, o risco de esgotamento físico e mental é a causa do crescente abandono da docência.

Na França, estudos sobre a saúde mental dos docentes mostram que os diagnósticos mais freqüentes são: estados neuróticos (27%); estados depressivos (26.2%) personalidades e caracteres patológicos (17,6%) estados psicóticos, psicoses maníaco-depressivas (7,4%) e esquizofrenias (6,6%). Esses estudos mostram também que a freqüência desses diagnósticos é maior entre docentes do que em outros grupos profissionais.

Por isso é compreensível que a preocupação dos organismos internacionais com as condições do trabalho escolar volte-se também para a saúde dos professores: para que se permita um ótimo desenvolvimento do processo de aprendizagem e melhor qualidade do ensino, é necessário o bem estar integral, físico, psíquico e social de toda a comunidade educativa escolar.

 

No Brasil, as condições de trabalho pioram a situação

Em outros países, tentam-se compensar as estressantes características do trabalho docente com melhorias das condições de trabalho. A Conferência Intergovernamental Especial sobre a situação do pessoal docente convocada pela UNESCO em colaboração com OIT em Paris, 1966, por exemplo, recomenda a melhoria das condições de trabalho como elemento central para a melhor quaais na escola, das quais entre 18 e 24 de atenção direta ao alunado (observando-se que essa diferença não é ainda suficiente para atender às tarefas extra-classe tais como programação, coordenação, auto-preparação, preparação e correção de provas e de exercícios, preenchimento dos diários de classe, elaboração das médias, etc.). No Brasil, entretanto, as jornadas situam-se em torno de 45 aulas semanais, sendo raros os casos em que parte desse tempo (em geral entre 10% e 20%) é dedicado aos trabalhos extra-classe. Com isso muitas dessas atividades inerentes ao ensino têm que ser realizadas em casa pelo docente. A sobrecarga de horas extraordinárias (além de tudo não pagas) tem efeitos particularmente nocivos sobre as condições de trabalho (e de saúde dos educadores), uma vez que torna mais acentuadas as condições já estressantes do trabalho realizado em “condições normais”.

 

Excesso de alunos por classe

 

Ainda segundo a conferência UNESCO/OIT, o número adequado de alunos por classe deve situar-se entre 20 e 30 no máximo, uma vez que as classes menores favorecem o estudo e a atenção docente individualizada, além de reduzirem a tensão e a intensidade da tarefa docente, corrigindo importante fator de estresse. Observe-se que no Brasil, não raro, o número de alunos é superior a 50 por classe. Há professores que chegam a lecionar para até cerca de mil alunos, em até mais de vinte classes.

No Brasil verifica-se, portanto, que as más condições de trabalho acentuam de maneira dramática a penosidade da profissão de professor, especialmente por que acrescentam:

 

1. Sentimento de desprestígio pelos maus salários (a falta de reconhecimento social é fonte de mal-estar no trabalho);

 

2. submissão a jornadas excessivas;

3. falta de perspectivas profissionais;

4. insegurança, ansiedade e angústia, provocadas pelos baixos salários e pela instabilidade no cargo;

5. incapacitação provocada pela escassez de recursos didáticos;

6. Conseqüências negativas para o resultado do trabalho que realizam e para sua própria pessoa.

 

As professoras são mais atingidas:

Estudos têm demonstrado que a crença generalizada de que as professoras faltam mais à escola que os professores não corresponde à realidade. No entanto, estando submetidas à dupla jornada de trabalho, ficam mais suscetíveis aos acidentes de trabalho e às doenças profissionais, doenças crônicas e aos quadros depressivos. Embora a mulher assuma maior responsabilidade frente às tarefas domésticas, suas faltas são semelhantes ou mesmo ligeiramente inferiores às dos homens. Porém é maior o número de faltas de professoras justificadas por dispensas médicas, o que mostra a maior incidência nas mulheres de doenças tipicamente profissionais da docência.

 

fonte:http://apeoespsub.org.br/

 

 


Arquivado em: Sem categoria I

2 Comentários »

  1. Comentário por Rose — 27 de fevereiro de 2009 (23:26)

    Ninguém está nem aí pra nossa saúde. Nódulo na garganta, pressão alta e ainda dizem que a gente está inventando historia.

  2. Comentário por Prof. — 29 de abril de 2009 (16:31)

    Essa junta médica é totalmente ineficiente e não age de acordo com os parâmetros legais como, muito bem exemplificados, nos casos de direito à remoção, à readaptação, etc, que estão sendo absurdamente negados sem fundamento algum. A junta Médica senti-se no direito de não fazer o que está muito bem explicito na lei, acha-se superior a ela. E ainda tratam os pacientes (funcionários) com hostilidade. Precisamos mudar isso e incitar processos à essa arbitrária e autoritária Junta Médica.

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